terça-feira, 19 de abril de 2011

Plenos em si

Sabe o que mais me atrai no tempo? (esse tempo que passa sem a gente nem se dar conta) A independência dele. Implica na vida de tudo e todos sem pedir licença. Segue pleno o próprio curso e não avisa nada a ninguém. E parece sempre satisfeito. Só para constar, eu falo desse tempo que passa sem a gente perceber.
Muitos dizem que o tempo muda as pessoas que chega a curar feridas. Feridas da alma, do coração (o coração imaterial)... Mas o tempo na realidade não muda nada, nem cura nada. Quem muda é a matéria, quem muda somos nós, e mudamos porque é natural mudar, porque queremos mudar, ou não.
Defendo a idéia de que todos nós temos uma essência ou alma para quem preferir chamar assim. Ela também não muda. Nem nós poderíamos mudá-la nem mesmo o tempo. É uma constante envolvida num mundo de tantas inconstâncias. Vamos a diferentes lugares, conhecemos mil e uma pessoas, compartilhamos conhecimento, e até a vida. Mas ela está lá. Muitas vezes em estado latente, mas está lá.
Para os mais céticos poderia dizer que a essência seria o que há de mais individual e autêntico em um ser humano. Em um ser não consciente a essência seria a beleza por traz da própria existência.
A essência se assemelha ao tempo. Duas constantes que não podem ser vistas, tocadas... Não tem cheiro, não fazem barulho! Podemos ser a essência, podemos viver no tempo. Podemos ser vivos essencialmente e sermos plenos o tempo todo. Essência e tempo (esse tempo tão independente qualquer coisa) se fossem irmãos seriam gêmeos univitelinos. Com sutis diferenças. 
Tão plenos em si.

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